They'll Be There For You

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
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O meu sitcom preferido finalmente retorna a TV aberta: Friends está no SBT. Digo retorna por respeito à Rede TV!, pois na época em que o seriado era transmitido pelo canal, o sinal não era aberto para o Rio Grande do Sul sintonizá-lo. Mas os tempos são outros e o canal também. O horário? Quartas-feiras, logo após o Show do Milhão, às 23h30min. Sinceramente não sei se esse horário é bom ou ruim. Para mim é bom, pois eu chego em casa às 23h e posso assisti-lo. A ruim é que eu acho que Friends conseguiria maior audiência em outra faixa de horário (já que o SBT prontificou-se a comprar as demais temporadas caso a audiência correspondesse às expectativas).

Quanto a dublagem, tive a oportunidade de assistir a um episódio e ela não é ruim. Teremos que nos acostumar com "Raquel" em vez de "Rachel" e Chandler com um sotaque carioca. Mas quem está acostumado com dublagens não se importará muito com isso. Já falei com o Guilherme Briggs, dublador do Ross (e do Buzz Lightyear, de Toy Story) que afirmou tentar o possível para que sua voz ficasse a mais parecida com a voz de David Schwimmer. Também acrescentou que a mudança do nome da Rachel veio de cima. Enfim, espero que o seriado faça sucesso e que todos descubram o que eu já estou careca de saber: Friends é tri legal...

Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
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Sparrow

Quem achava que o fracasso de A Ilha da Garganta Cortada, filme sobre piratas protagonizado por Geena Davis e Matthew Modine em 1995, seria um empecilho para o sucesso de Piratas do Caribe estava completamente enganado.

O filme dirigido por Gore Verbinski foi baseado em um brinquedo da Disney de mesmo nome e conta a história de Will Turner (Orlando Bloom), que para resgatar a filha do governador (Keira Knightley) sequestrada por Barbossa (Geoffrey Rush) pede a ajuda do estranho pirata Jack Sparrow (Johnny Depp).

Para alguns, a escolha de Depp em interpretar o capitão pirata foi recebida de maneira estranha. Notório por interpretar papéis densos, o ator está completamente à vontade interpretando com comicidade o personagem Jack Sparrow. Com vários trejeitos e andando de forma cambaleante, Depp ganha a simpatia do público e carrega o filme com gags e piadas.

O próprio ator revelou à imprensa que desde o nascimento de sua filha, faria apenas filmes que pudessem ser assistidos com ela. O remake de A Fantástica Fábrica de Chocolates está nos planos do ator.

Quanto ao resto do elenco, destaque para Geoffrey Rush, interpretando o amaldiçoado capitão Barbossa. Orlando Bloom (o Legolas da trilogia Senhor dos Anéis) está bem em seu papel, assim como a belíssima Keira Knightley (atriz de Simplesmente Amor). Infelizmente, não sobrou espaço para ambos crescerem frente à presença de Depp e Rush.

Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra tem belos efeitos digitais e é uma boa pedida se o espectador procura por um filme divertido e descompromissado. A longa metragem pode assustar (145 minutos), mas esse tempo passa mais rápido do que se possa imaginar. E não é preciso ser um grande fã de piratas para pensar assim.

Se formos pensar na carreira do filme no Oscar, seria uma surpresa se Johnny Depp levasse para casa a estatueta de melhor ator. Mais sorte talvez terá na categoria Efeitos Visuais, mesmo concorrendo com o peso pesado Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (que só por um milagre não leva esse Oscar também).

P.S.: Essa crítica também foi retirada do Portal3, porém sofreu algumas adaptações...

Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl)
Dir.: Gore Verbinski
Com Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Geoffrey Rush, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Kevin McNally

Confira logo abaixo o trailer de Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra:

Ficção - A Vida Alheia de Pedro

Domingo, Fevereiro 22, 2004
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Da série "textos meus retirados do Portal3", posto A Vida Alheia de Pedro, uma ficção que ficou capa do site da agexCOM por um bom tempo e que agora está disponível para o pessoal que visita o Paradoxo dar uma lida. Em tempo: Recomendo a todos que gostam de contos, crônicas e afins que façam uma visita ao Portal3, pois o texto da minha amiga Paty Alsina é a mais nova capa da nossa seção de ficção do site.

A Vida Alheia de Pedro

Os livros são meus maiores companheiros. Com eles, fui para inúmeros lugares, conheci um infinito número de pessoas e vivi incríveis aventuras, sem sair do meu quarto. O que posso dizer? Os livros são seguros. Os livros não enganam, não mentem, não dizem que querem ser apenas nossos amigos. A literatura não corrompe, não ri da nossa cara, não caçoa.

Com os livros conheci Brás Cubas, e suas aventuras póstumas. Acompanhei os mistérios de Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Vibrei ao descobrir quem matou Getúlio Vargas. Fiquei enciumado e duvidei de Capitu. Apaixonei-me por Lolita. E porque não dizer, fiquei assustado com o final de John Coffey em seu corredor da morte.

Passei um bom tempo da minha vida imerso nesse universo. Alguns poderiam dizer que perdi valiosos anos. Sinceramente, as vezes me questionava o mesmo. Mas sempre que essa dúvida passava na minha cabeça, assim como uma chuva de verão, logo ia embora. Um novo livro chegava em minhas mãos e todo o resto desaparecia.

Não sei quando, talvez ao ler Cem anos de solidão - título que poderia resumir minha vida, tomei uma decisão. Fechei o livro antes de acabar de lê-lo, pois resoluções daquela espécie não podiam esperar. As dúvidas deixaram de ser chuvas de verão e passaram a ser tempestades. Chegou um ponto onde eu não agüentava mais folhear aquelas páginas e assim, assistir a vida dos outros. Viver a vida alheia já não era uma opção válida para mim. Aquilo já havia me cansado. Então fui ao cinema.

Menções Honrosas

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
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Encerrando de vez os posts sobre os piores filmes, existem aqueles que lutaram bravamente mas acabaram não entrando para a lista dos cinco menos. Pelo esforço, merecem a menção honrosa desse post:

Tudo para ficar com ele - Esse saiu da lista na última hora pela ruindade superior de Não é mais um besteirol americano. Comédia sem graça, apelativa e que nunca decide se é um besteirol, uma comédia romântica ou um filme non sense. Uma pergunta que fica para os tradutores brasileiros é: até quando vão fazer trocadilhos com o sucesso de Quem Vai Ficar com Mary? Nesse fim de semana estréia Quero Ficar com Polly, com Ben Stiller no elenco.

Dinossauro - Animação da Disney sem roteiro, com as péssimas dublagens de Fábio Assunção e Malu Mader aqui no Brasil.

O Dia do Terror - Só vale pela beleza de Denise Richards. Filme padrão de serial killer.

Mod Squad - O Filme - Uma das inúmeras adaptações de antigos seriados de TV para o cinema que não dão certo. Para falar a verdade, nem lembro direito do filme. Só lembro que na época eu achei muito ruim...

Framboesa - Parte 3 de 3

Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
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Fim do mistério. Se alguém já viu esse filme, com certeza vai concordar comigo.

1º Lugar - Fortaleza II

Apesar de ter concorrentes muito fortes, não foi difícil escolher Fortaleza II como o pior filme que eu já tive o desprazer de assistir. E não digo apenas no cinema. Esse leva medalha de ouro em qualquer categoria. Roteiro risível, atuações inexistentes e as cenas mais estapafúrdias já criadas pelo cinema. Mas existem duas cenas chave que merecem ser citadas:

- O personagem do "ator" Christopher Lambert precisa fugir da fortaleza espacial que está aprisionado e entrar em um outro compartimento dela. Barbada. É só abrir uma comporta e pular para fora. Mas existe um problema: ele está no espaço, fora da espaçonave só existe vácuo. Se esse era o problema, então não tem problema! Em uma cena genial, Lambert sai da nave apenas prendendo a respiração, passando para a próxima porta com apenas os ouvidos sangrando. Ou seja, a NASA já pode economizar e muito em equipamento para seus astronautas. Basta avisá-los: prendam a respiração!

- Em outra cena imperdível, uma barata (talvez o ator mais convincente do elenco) é usada para espionar os inimigos de Lambert. Então é acoplado em seu casco uma microcâmera. Até aí tudo bem. No decorrer da trama a barata acaba morrendo (e me perdoem pelo Spoiler). Música triste no fundo, os atores se abraçam, tristes pelo fim da pobre barata (e pelo fim da vergonha na cara, provavelmente).

Sem brincadeira, esse "filme" deveria ser banido e tirado do contato com os seres humanos. Ouvi dizer que os chineses estavam o usando para tortura, mas são apenas boatos. A única coisa que esse filme serve é de parâmetro rasteiro. A cada filme novo e ruim que eu assisto eu posso pensar: "Pelo menos pior que o Fortaleza II não é".

Framboesa - Parte 2 de 3

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004 
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E a lista dos piores continua, na segunda parte desse eletrizante post. (ok, bem menos) 

3º Lugar - Todo Mundo em Pânico 2

Está para nascer, ou ser produzida, uma comédia tão sem graça quanto Todo Mundo em Pânico 2. Lembro que quando escrevi a crítica sobre esse filme, sugeri para os corajosos que alugassem essa bomba que assistissem apenas a primeira cena, satirizando O Exorcista (única parte engraçada, com um James Woods impagável), rebobinassem a fita e devolvessem para a locadora. Só assim para se ver livre de uma hora e pouco de piadas sem graça, roteiro inexistente e atores irritantes (o que é aquele Chris Elliot e a mãozinha?). Medalha de bronze merecido.

2º Lugar - A Bruxa de Blair 2 - O Livro das Sombras

O primeiro era inovador. Tinha estilo, tinha até história. Não tinha bruxa, mas tudo bem. Esse segundo, além de não ter bruxa, não tem nexo, não tem graça e não tem respeito pelo espectador que não sabe se boceja ou se abandona de vez o filme. Cadê o livro das sombras do título? Cadê as cenas aterrorizantes de um suposto filme de terror? Eu sei que não se podia esperar muito de uma seqüência caça-níqueis que nem trazia os diretores originais no comando, trabalhando apenas de produtores executivos. Mas isso foi demais. Esse por pouco não levou o ouro.

Framboesa - Parte 1 de 3

Domingo, Fevereiro 15, 2004
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Com toda essa onda do Oscar e dos melhores filmes do ano, às vezes esquecemos de privilegiar o que de pior é feito na indústria cinematográfica. Apesar do título e da introdução, o motivo desse post não é comentar o prêmio anti-Oscar, Framboesa de Ouro. Já que eu não tinha nada para comentar aqui, decidi finalmente cair na armadilha da lista dos cinco melhores. No meu caso, os 5 piores filmes que eu já vi no cinema. Vejamos os dois primeiros, ou últimos, no caso:

5º Lugar: Não é mais um besteirol americano

Quando um filme é feito para satirizar uma sátira, pode ter certeza que algo vai dar errado. É o mesmo esquema da cópia da cópia, que nunca vai sair grande coisa. No caso dessa "comédia", pouca coisa se salva. O elenco é ridículo, pouquíssimas cenas realmente engraçadas (lembro de ter rido na cena que abre o filme e algumas duas ou três outras espalhadas no decorrer da trama). Conseguiram até a campeã dos filmes adolescentes dos anos 80, Molly Ringwald para uma ponta - desnecessária e sem graça. Ela poderia ter ficado sem essa.

4º lugar - Dungeons and Dragons

A primeira vez que eu ouvi falar sobre esse filme, lembro ter lido em letras garrafais: "Caverna do Dragão vira filme". Mais tarde foi explicado que não seria exatamente o desenho, e sim o RPG que deu origem ao mesmo. Mas o estrago já tinha sido feito. Seria muito legal ver uma versão live action do clássico desenho oitentista e a má vontade para ver o RPG nas telonas era inevitável. Se fosse só isso... O filme nunca se decide entre comédia, aventura ou fantasia. Temos um Jeremy Irons caricato, efeitos especiais horríveis e um roteiro muito fraquinho. Ainda temos a bonitinha Thora Birch (de Beleza Americana) fazendo o que pode com um personagem que aparece pouco e um Marlon Wayans pouco inspirado (o que não é muito difícil). A minha sorte (ou não) é que ganhei o ingresso em uma promoção.

24 Horas - 1ª Temporada

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
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Última Hora

Hoje será exibido na Rede Globo o último episódio (ou seria a última hora?) do "dia mais longo da vida do agente Jack Bauer". Nessa última semana, 24 Horas de muito bom passou para excelente no meu conceito. Com a adição de personagens e atores importantes na trama e com reviravoltas surpreendentes, o seriado encerra hoje com vontade de assistir mais.

Uma boa notícia para o pessoal que gostou das aventuras de Jack Bauer e cia. e que não tem TV a cabo (e eu me incluo nesse pessoal) é que a Globo decidiu passar a segunda temporada à partir de abril. O horário está previsto para depois do seriado brasileiro Sob Nova Direção, que passará depois do Fantástico aos domingos. Eu sei que novamente o horário não é grande coisa, e para nós gaúchos ainda existe a dúvida se a RBS exibirá o seriado (já que nesse horário é exibido por aqui o Tele Dormindo e o Lance Final). Depois de ter emplacado na programação com média de 12 pontos no ibope, a emissora gaúcha provavelmente transmitirá para cá também... pelo menos é o que eu espero.

P.S.: A foto acima é da Elisha Cuthbert, a Kim Bauer. Eu não sei como pôr legendas em fotos no Blog (nem sei se tem como), então fica aqui a nota.

Mestre dos Mares

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
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Diário de Bordo

Após assistir a Mestre dos Mares, filme que faltava para completar a minha maratona pré-Oscar de indicados a categoria principal, cheguei a uma conclusão: Russel Crowe nasceu para mandar. Em Gladiador ele já demonstrara que conseguia liderar uma horda de soldados em batalha, e posteriormente na narrativa, se transformaria na liderança dos gladiadores em Roma. Agora ele está no mar, comandando os marinheiros do Surprise contra Acheron, uma fragata Francesa que insiste em assombrar a viagem. Tudo isso com a mesma competência.

Mas o destaque do elenco, na minha opinião, não fica com Crowe e sim com Paul Bettany, que interpreta o seu amigo e médico do navio, Dr. Stephen Maturin. A interpretação do ator não está muito longe do que havia feito em Dogville, mantendo o ar intelectual que ambos os personagens carregavam. O que é interessante é o contraponto que o personagem faz com o Capitão do navio, Jack Aubrey (Crowe), tornando esse último mais humano aos olhos dos espectadores.

Peter Weir, diretor do excelente Show de Truman, está competente como sempre. O diretor escolhe não usar na primeira meia hora do filme nenhuma trilha musical, que dá uma impressão real aos acontecimentos, quase como um documentário. Mas o que realmente impressiona é o som do filme. Em certos momentos, parecia que o cinema estava rangendo devido a ótima edição de som (efeito que vai se perder quando for visto em casa, sem um home theater).

Para a premiação do Oscar, Mestre dos Mares deve ter poucas chances na categoria principal. Agora que eu já vi os cinco indicados, posso citar a ordem de preferência para mim: Em primeiro lugar, Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei; Sobre Meninos e Lobos em segundo; Encontros e Desencontros em terceiro; em quarto, Seabiscuit e, em quinto, Mestre dos Mares. Todos filmes muito bons, que realmente mereciam ser lembrados - mesmo eu achando que Cidade de Deus entraria brincando nessa lista...

Mestre dos Mares (Master and Commander)
Dir.: Peter Weir
Com Russell Crowe, Paul Bettany, James D'Arcy

Confira logo abaixo o trailer de Mestre dos Mares:

All Things Must Pass

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
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Wah-Wah

Já fazia um bom tempo que queria escrever sobre esse álbum, que até agora, eu considero como o melhor de um ex-Beatle: All Things Must Pass de George Harrison. Esse CD me chegou em mãos pelo meu amigo Alexandre, que havia conseguido com seu amigo Saulo, que não sei de onde conseguiu.

O que eu posso dizer sobre o CD? Começa com uma balada belíssima, I'd Have you Anytime, passando pela clássica My Sweet Lord, Wah-Wah e uma das minhas preferidas do álbum, What is Life, uma declaração de amor up-beat. E isso é apenas o primeiro CD. O segundo traz a reflexiva All Things Must Pass, Beware of Darkness, entre outras tantas.

Esse álbum nasceu como um pacote de três vinis, logo após a dissolução dos Beatles. A longa duração do disco devia-se a insatisfação de George Harrison, que na época do Fab Four tinha pouquíssimas músicas suas incluídas nos álbuns. Então, no seu primeiro disco solo, resolveu colocar tudo que podia, demonstrando que o seu trabalho não era pouco utilizado por ser ruim ou pouco comercial, muito pelo contrário. Já na época dos Beatles, ele havia mostrado todo seu talento com While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun, Something e For you Blue. Músicas inesquecíveis de um músico e uma banda igualmente inesquecíveis.

A Crise da Disney

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
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O fim?

Depois de uns dez anos e cinco filmes de sucesso (com mais dois a caminho) a Pixar rompeu contrato com a Disney, deixando o estúdio do Mickey a ver navios. Quem se liga um pouco em bilheterias sabe que os últimos sucessos da Disney estavam todos atrelados a parceria com a Pixar.

Filmes como Procurando Nemo, Monstros S.A., os dois Toy Story e Vida de Inseto seguraram e muito as pontas da Disney que acumulava fracassos com suas animações tradicionais como Atlantis e Terra dos Tesouros. O medonho Dinossauro, tentativa da Disney de enveredar pelo campo da animação computadorizada, se não foi um total fracasso, provou que em matéria de roteiro a Pixar dava uma banho.

O que não deixa de ser curioso é ver várias pessoas pregando o fim da Disney. É um baita exagero. Apesar do estúdio não estar 100%, ainda acerta com alguns longas como Tarzan e o mediano A Nova Onda do Imperador. Prever hoje o fim da Disney é o mesmo que em 1998, prever o fim da Warner.

Naquela época, depois de ter lançado o fraco Batman & Robin, o bizonho Os Vingadores e Velocidade Máxima 2 (sem comentários), o estúdio estava naufragando no box office. E não é que, em 2004 a Warner tem em mãos a trilogia Senhor dos Anéis, a trilogia Matrix, os dois Harry Potter com os direitos dos outros livros do bruxo, ganhando assim dinheiro aos borbotões. Ou seja, os que choraram há cinco anos atrás estão rindo à toa hoje. Quem sabe amanhã não é o Mickey e seus comparsas que estarão rindo?

Dogville

Domingo, Fevereiro 01, 2004
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Minha vida de cão

Dogville é um dos filmes mais inovadores que eu já tive a oportunidade de assistir. Mas nem por isso gostei tanto quanto eu acho que deveria ter gostado. Tá certo, admito que foi um erro ter visto o filme logo após ter visto Encontros e Desencontros (e quando eu digo logo após, falo de 1h30min depois de ter visto o primeiro), fazendo com que as três horas de duração de Dogville tenham parecido três horas. Mesmo.

As inovações que eu falo são muito interessantes. Em primeiro lugar, não existem casas de verdade no filme. O cenário é todo desenhado, e eu penso que isso foi uma jogada de mestre de Lars Von Trier. Não existiria outro jeito de retratar o vilarejo como sendo tão pequeno, senão daquele jeito. Se houvesse paredes, Dogville já pareceria maior do que é. Claro que dessa maneira, o filme não parece um filme, e sim uma peça de teatro. Até na estrutura como é apresentado, em capítulos (que poderiam ser chamados de atos, perfeitamente), lembra teatro e a literatura.

Fatores positivos indiscutíveis de Dogville são: o roteiro, escrito pelo diretor, mostrando toda a degradação do ser humano quando é colocado o mínimo de poder em suas mãos. A produção do set, opressora como a cidadezinha deveria ser. E as atuações de Nicole Kidman e Stellan Skarsgard.

O problema de Dogville, na minha opinião, está na duração mesmo. Ele demora muito para acabar. Outra coisa que fiquei pensando, principalmente no começo da projeção, é como a história me lembrava um conto de fadas (Branca de Neve, para ser exato). E a trilha sonora junto com a narração de John Hurt ajudava mais ainda a dar essa impressão. O que não é nada parecido com um conto de fadas é o final, brilhante, que pelo menos valeu pelas horas investidas.

Dogville
Dir.: Lars Von Trier
Com Nicole Kidman, Paul Bettany, Lauren Bacall, Blair Brown, Patricia Clarkson, James Caan, Jeremy Davies, Philip Baker Hall, Zeljko Ivanek, Chloe Sevigny, Stellan Skarsgard

Confira logo abaixo o trailer de Dogville:

Encontros e Desencontros

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
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"Loja" Moore

Continuando com a minha maratona pré-Oscar, ontem fui assistir no Unibanco Arteplex o 4 vezes indicado Encontros e Desencontros, dirigido por Sofia Coppola e estrelado por Bill Murray e Scarlet Johansson.

O filme equilibra momentos de comédia com momentos de reflexão, fazendo com que ele seja bastante irregular. O melhor disso é que ele não é de uma irregularidade ruim, muito pelo contrário. Esse eu considero o charme da produção, e é o que separa essa comédia de várias outras que se encontram por aí.

Os momentos engraçados estão a cargo de Bill Murray, engraçadíssimo como o ator Bob Harris, que vai ao Japão fazer uma propaganda de Whiskey (os momentos mais engraçados do filme) e acaba passando por uma experiência que o faz pesar como vai levando sua vida. Quem passa por essa mesma experiência é Charlote (Johansson), que casada com um fotógrafo maluco por trabalho (Giovanni Ribisi, repetindo os trejeitos de sempre), fica sozinha no hotel, conhecendo assim Bob Harris e criando uma forte amizade com o ator, formando uma simpática dupla para a produção.

A fotografia de Encontros e Desencontros é belíssima, registrando as incríveis paisagens do Japão, não apenas as imagens que mostravam os montes e os templos, mas também mostrando a cidade com montes de pessoas, carros e luzes. Falando no país nipônico, é claro que um filme que se passa por lá não poderia ficar sem a indefectível cena do karaokê ("God Save the Queen" com sotaque japonês foi hilário).

Encontros e Desencontros é um filme muito simpático, mas não deve levar nenhum Oscar para casa (talvez roteiro original, concorrendo com Procurando Nemo - uma surpresa positiva se ganhasse). Mesmo não ganhando nada a produção já vale por provar o que eu há tempos já sabia: Bill Murray é um baita ator.

Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
Dir.: Sofia Coppola
Com Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi, Anna Faris

Confira logo abaixo o trailer de Encontros e Desencontros:

De Volta para o Futuro - Parte II

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
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Great Scott!

"Vocês dois ficarão bem! São seus filhos, Marty! Algo deve ser feito sobre eles!". Essa frase encerrava o primeiro De Volta para o Futuro e abriria a sua ótima continuação. Curiosamente ela, assim como o "Continua" no final do primeiro filme, eram apenas piadas, pois não haviam planos para continuações. Então, cinco anos depois do primeiro, Zemeckis decidiu filmar não apenas um, mas dois filmes ao mesmo tempo (feito inédito na época) criando a trilogia Back to the Future.

De Volta para o Futuro - Parte II é o filme mais complexo dos três. Não apenas pela história amalucada que coloca Doc Brown e Marty nas mais diversas épocas (eles vão de 85 para 2015, para um 85 alternativo e depois para 55 novamente, ano em que boa parte do primeiro filme toma forma), mas também por haver várias reviravoltas em sua estrutura.

Neste filme podemos ainda ver fortalecer a amizade entre Marty e Doc Brown, ao meu ver, um dos maiores charmes da trilogia. No primeiro, Marty tenta desesperadamente avisar seu amigo que este iria morrer em 85. Já no segundo é o doutor quem tenta salvar a família de Marty de ruir completamente devido a prisão de seus filhos. Sempre lembrando que mexer com esses eventos poderiam destruir o universo! (isso na pior das hipóteses. A destruição podia ficar isolada apenas na nossa galáxia, como explica Doc Brown.)

Bastante divertido é assistir o modo em que o segundo filme interage com o primeiro. Diversas cenas foram refilmadas meticulosamente, promovendo encontros entre dois Doc Browns e Marty conseguindo se assistir tocando Johnny B. Goode - provavelmente, o sonho de qualquer músico.

Nesse segundo episódio a ação é non stop, e são deixadas várias dicas e perguntas para o próximo filme. O final, com uma reprise da cena do raio na torre (uma das melhores cenas que eu já vi) e um intrigante "Concluirá" fizeram com que o terceiro episódio fosse bastante esperado.

TO BE CONCLUDED

De Volta para o Futuro - Parte II (Back to the Future - Part II)
Dir.: Robert Zemeckis
Com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue

Confira logo abaixo o trailer de De Volta para o Futuro - Parte II:

Seabiscuit - Alma de Herói

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
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No páreo

Seabiscuit - Alma de Herói é aquela velha história: Duas pessoas (ou animais, que seja) que nasceram para brilhar enfrentam percalços na vida, se tornam perdedores até que um dia se encontram e juntos vencem na vida. O que separa esse filme de tantos outros que já contaram essa mesma trama é que nessa produção a história é muito bem contada.

Uma das primeiras imagens do filme envolve Chris Cooper (ótimo, como quase todo o elenco) laçando cavalos em campo aberto. A cena é belíssima e dá a impressão ao espectador que muitas cenas como essa virão pela frente. Não é o que acontece, apesar das tomadas que envolvem as corridas serem muito bonitas, a fotografia surpreende mesmo é no começo.

Achei interessante também as simbologias usadas pelo roteiro, principalmente no personagem de Jeff Bridges (com uma atuação um tanto apática no início, se recuperando no final) que perde o seu "futuro" exatamente com o instrumento que o fez chegar ao topo (e quem viu o filme entenderá perfeitamente). A falta de um interesse romântico para Tobey Maguire, fazendo com que todo o foco do filme permaneça no relacionamento entre o jóquei e seu cavalo também me chamou a atenção, sendo uma escolha acertada.

Destaco ainda a atuação de William H. Macy como o hilário radialista Tick Tock McGlaughlin e o belo sorriso de Elizabeth Banks.

Contudo, vejo poucas chances de Seabiscuit levar o principal Oscar para casa, fazendo com que ele seja o azarão da noite (eu sabia que usaria esse trocadilho de novo). Se for levado em conta que o pangaré começou assim também na vida real, não seria de se espantar que na reta final ele desse uma arrancada e abocanhasse o prêmio. Isso é claro, se Hobbits e lobos não estivessem no seu caminho.

Seabiscuit - Alma de Herói (Seabiscuit)
Dir.: Gary Ross
Com Tobey Maguire, Jeff Bridges, Chris Cooper, Elizabeth Banks

Indicados ao Oscar 2004

Terça-feira, Janeiro 27, 2004
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E os indicados são...

E saíram os indicados ao Oscar 2004. Cidade de Deus que foi a maior decepção do ano passado (pelo menos para nós brasileiros e a Miramax, claro) conseguiu quatro indicações (!): melhor diretor para Fernando Meirelles, melhor fotografia, melhor edição e melhor roteiro adaptado. Se eu tivesse que apostar minhas fichas em uma categoria vencedora para o filme brasileiro acho que seria edição (mesmo com concorrentes fortes como Senhor dos Anéis e Cold Moutain). Senti falta de 21 Gramas nessa categoria.

Falando nele, recebeu duas indicações: melhor ator coadjuvante para Benício Del Toro e atriz para Naomi Watts. Se formos comparar com o Globo de Ouro, acho que Del Toro volta para a casa com as mãos abanando, enquanto Naomi leva a melhor. Tim Robbins, por Sobre Meninos e Lobos tem grandes possibilidades de receber o prêmio (preferia Del Toro, mas eu não tenho poder de voto).

Um surpresa agradável foi a presença de Johnny Depp entre os indicados a melhor ator por sua perfomance no divertido Piratas do Caribe. É bom ver a academia abrindo um pouco seus horizontes e percebendo que não é porque é engraçado que não pode ser bom.

Quanto a melhor filme, depois de ter visto Cidade de Deus se dar tão bem nas outras categorias, até esperava vê-lo nessa também. Mas não aconteceu. Os indicados foram Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, Encontros e Desencontros, Mestre dos Mares (ainda inédito por aqui), Sobre Meninos e Lobos e Seabiscuit. Torço pelo Senhor dos Anéis, mas nunca se sabe...

Pretendo fazer a minha velha maratona pré-Oscar, tentando ver os filmes indicados, pelo menos nas categorias principais. Mais para perto da cerimônia postarei mais alguns dos meus palpites. (Não que faça muita diferença, pois nunca ganhei um bolão do Oscar em toda a minha vida. Mas, de novo, nunca se sabe...)

De Volta para o Futuro

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
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88 milhas por hora

Muitos devem ter estranhado (pelo menos os que me conhecem bem) de eu não ter até agora escrito uma linha sequer sobre o meu filme preferido: De Volta para o Futuro. Só estava esperando uma oportunidade para revê-lo e escrever aqui no Blog sobre ele.

Às vezes é difícil escrever sobre um filme que se viu tanto. Parei para pensar em algum ponto negativo em De Volta para o Futuro e, sinceramente, não achei nenhum. Mas pontos positivos são muitos, pelos menos na minha percepção.

Começando pelo roteiro inventivo, original, misturando muito bem ficção-científica, comédia, aventura. Consegue envolver o espectador, não só no primeiro como em toda a trilogia (que será comentada em posts seguintes).

A direção de arte fez um ótimo trabalho conseguindo uma transformação muito realista da Hill Valley de 1985 para 1955, mostrando que, pelo menos no cinema, é possível uma verdadeira viagem no tempo. E essa noção de viagem está amparada também na maquiagem feita nos jovens atores, que em 1985 convencem como pessoas de meia-idade, graças também as competentes atuações.

Falando em atuações, o elenco todo está afiadíssimo. Christopher Lloyd, o melhor de todos, se entrega completamente a persona do Dr. Emmett L. Brown, chegando a ficar rouco inúmeras vezes no decorrer da trama devido ao jeito amalucado do personagem ao falar. Temos o jovem Michael J. Fox em seu papel mais famoso no cinema. Ainda hoje é difícil imaginar Eric Stoltz (que chegou a gravar boa parte do filme, mas foi dispensado) como Marty McFly já que J. Fox É o personagem.

Crispin Glover (o covarde George McFly), Lea Thompson (a dúbia Lorraine Baines) e Thomas F. Wilson (interpretando - muito bem, diga-se de passagem - o vilão Biff Tannen) completam o elenco, se não contarmos o DeLorean, o carro-máquina do tempo que é um outro personagem importantíssimo para a trama.

A música de Alan Silvestri, a produção de Spielberg e a direção de Robert Zemeckis fecham o pacote de uma das melhores aventuras da história do cinema (e apontada pelo E-Pipoca como a melhor trilogia de todos os tempos). Com certeza, eu concordo muito com isso.

De Volta para o Futuro (Back to the Future)
Dir.: Robert Zemeckis
Com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells, Marc McClure, Wendie Jo Sperber, James Tolkan

Confira logo abaixo o teaser de De Volta para o Futuro:

Regras da Atração

Domingo, Janeiro 25, 2004
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Bonitinho, mas ordinário

Regras da Atração tinha tudo para ser um filmaço.

Regras da Atração tem estilo. Ao ver a forma com que o diretor Roger Avary escolhe mostrar a sua história com telas divididas (efeito excelente, usado no encontro entre Sean e Lauren), acontecimentos que retrocedem (como se o mundo fosse um enorme video cassete) e cenas onde o espectador consegue sentir exatamente o que o personagem está sentindo (a cena da banheira, uma das melhores do filme) você tem certeza que veremos muitas coisas boas desse diretor futuramente.

Regras da Atração tem elenco. Por incrível que pareça, James Van Der Beek entrega uma atuação convincente, não lembrando em nada o insosso Dawson do seriado da Sony. Claro que as vezes ele exagera, e a sua expressão "vampiresca" irrita. Destaque também para os outros dois atores principais: Shannon Sossamon e Ian Sommerhalder, todos personagens difíceis mas muito bem trabalhados.

Regras da Atração tem trilha sonora. Bastante baseada em clássicos dos anos 80, vai desde Erasure até The Cure. Bem divertido. E também tem participações especiais espertas como Fred Savage (ele mesmo, o Kevin de The Wonder Years), hilário, fazendo um viciado que não diz coisa com coisa e Eric Stoltz, como um professor (também viciado) com métodos didáticos não muito ortodoxos, digamos assim.

E então? Qual é o problema de Regras da Atração? Ele não tem conteúdo. São quase duas horas de cenas muito bem elaboradas, muito bem representadas, com uma trilha legal mas que no final não dizem nada para o espectador. Nenhum dos assuntos tratados no filme são aprofundados. Virgindade, homossexualidade ou promiscuidade parecem que foram postos ali só para serem citados, sem nenhuma reflexão maior. E é nisso que o diretor Roger Avary, que também assina o roteiro, erra a mão. Regras da Atração acaba sendo um filme bonitinho, mas ordinário. Infelizmente.

Regras da Atração (Rules of Attraction)
Dir.: Roger Avary
Com James Van Der Beek, Shannyn Sossamon, Jessical Biel, Kip Pardue, Kate Bosworth, Ian Somerhalder, Jay Baruchel, Thomas Ian Nicholas, Fred Savage e Faye Dunaway

Confira logo abaixo o trailer de Regras da Atração:

Todo Mundo em Pânico 3

Sábado, Janeiro 24, 2004
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O terceiro da trilogia de três

Gostava muito de comédias de estilo besteirol como a trilogia Corra que a Polícia vem aí, Máquina Quase Mortífera e Top Gang. Não sei se eu cresci ou se o cinema esqueceu como fazer esse tipo de filme. Cada vez que vejo um novo exemplar dessa "vertente" cinematográfica, mais gosto dos antigos.

Apesar dessa introdução, Todo Mundo em Pânico 3 não é tão ruim quanto podia ser. Até é engraçado. Se você pensar que essa é uma seqüência do detestável, patético e sem-graça Todo Mundo em Pânico 2 até pode dizer que esta sequência teve um grande salto de qualidade. Mas ser melhor que o segundo filme não é nada difícil (mesmo).

Estava muito a fim de assistir ao terceiro, primeiro porque a direção está nas mãos de David Zucker, um dos pioneiros das comédias besteirol. Segundo porque o filme unia dois veteranos atores desse gênero: Charlie Sheen e Leslie Nielsen. Infelizmente, Nielsen ganhou muito pouco o que fazer e está apagado. Em compensação, Charlie Sheen está no núcleo mais cômico do filme e a maioria das suas cenas são engraçadas (destaque para o trecho com o pretenso M. Night Shyamalan, em uma das muitas sátiras ao filme Sinais). Anna Faris está péssima neste episódio. Lembrava que ela era engraçada, pelo menos no primeiro. Simon Rex faz o irmão de Charlie Sheen e tira sarro de Eminem em uma cena que seria mais divertida se não ocupasse tanto tempo do filme, satirizando o mediano 8 Mile. É dele a cena mais engraçada de Todo Mundo em Pânico 3, envolvendo a sua sobrinha e uma professora.

Todo Mundo em Pânico 3 (Scary Movie 3)
Dir.: David Zucker
Com Anna Faris, Charlie Sheen, Simon Rex, Jeremy Piven, Pamela Anderson, Jenny McCarthy, Regina Hall e Leslie Nielsen

Confira logo abaixo o trailer de Todo Mundo em Pânico 3:

Do Inferno

Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
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Por partes

Assisti há poucas horas Do Inferno, filme dos irmãos Hughes estrelado por Johnny Depp e Heather Graham. Adaptado dos quadrinhos premiados de Alan Moore, a produção é um suspense interessante de assistir. O primeiro aspecto que chama a atenção é a fotografia. Ambientado nos becos escuros de Londres, ela em certos momentos é opressiva, assim como a situação das prostitutas que são mutiladas sem cerimônia por Jack, o Estripador.

Os atores estão bem. Johnny Depp, sempre competente; A bela Heather Graham convence com seu sotaque irlandês; Robbie Coltrane está divertido como o companheiro de Depp e Ian Holm cresce cada vez que aparece em cena. Interessante é que o elenco principal brigou para que o final se mantivesse fiel ao original, assim como os diretores, que filmaram um desfecho não muito Hollywoodiano para o filme - diferente da vontade do estúdio. Isso faz com que a produção ganhe um certo charme sombrio.

Do Inferno (From Hell)
Dir.: Albert e Allen Hughes
Com Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richarson, Jason Flemyng

Confira logo abaixo o trailer de Do Inferno:

Dom

Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
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Hoje chegou um comentário do post sobre 21 Gramas perguntando sobre o que eram os Spoilers que tanto apareciam nos meus posts. Nunca tinha me ocorrido em explicar aqui no Paradoxo o que era isso, mas no Portal3 sim. Então vou transcrever na íntegra a minha crítica sobre o filme Dom aqui no Blog, que de certa forma explica tudo (e também resolve uma terrível falta de assunto que me faria não escrever nada aqui hoje).

O Dom da Adaptação

Spoil: do inglês, estragar, arruinar, avariar.

Spoiler: no cinema, significa estragar a surpresa, contar o final ou partes importantes do filme.

Apesar de ser um tanto didática, essa introdução se fez necessária, pois o último parágrafo desta opinião apresenta um spoiler de Dom, filme dirigido por Moacyr Góes e estrelado por Marcos Palmeira, Maria Fernanda Cândido e Bruno Garcia.

Baseado livremente na obra Dom Casmurro de Machado de Assis, o filme conta a história de Bento (Marcos Palmeira), que fora batizado assim em homenagem ao personagem principal do livro do escritor. Bento, ou Dom para os amigos, reencontra seu melhor amigo, Miguel (Bruno Garcia) na época em que ele gravava um vídeo clipe e testava modelos para estrelá-lo. Neste dia, Dom encontra Ana (Maria Fernanda Cândido), sua namoradinha de infância.

O sentimento de Bento por sua Capitu é tão forte que faz com que ele jogue tudo para o alto e case-se com ela. Os problemas começam quando o ciúme de Dom começa a atrapalhar o relacionamento dos dois.

Seria uma covardia comparar o livro ao filme (mesmo porque eu nunca assisti uma adaptação que fosse melhor que a obra em si), porém a película tem bons momentos. A escolha do elenco foi feliz, principalmente tratando-se de Maria Fernanda Cândido e Bruno Garcia. Luciana Braga, em um papel que poderia ser maior, rouba todas as cenas em que aparece. E Marcos Palmeira cresce quando deixa de lado o seu ar de "bom moço" do início e passa para o lado "Bentinho" da força.

Algumas partes que incomodam são, em primeiro lugar, a longa duração de algumas cenas, como quando Bento termina com sua namorada, na primeira meia hora de filme. Em segundo, a trilha que soa como música de barzinho o tempo todo.

Agora chegou a hora do spoiler. Portanto, se você não viu o filme e não quer saber revelações sobre a trama, pare de ler aqui.SPOILER:

É interessante assistir uma versão modernizada da obra de Machado de Assis. Diferentemente do Bentinho original, o Dom de Marcos Palmeira teve a possibilidade de, ao duvidar da paternidade de seu filho, pedir um teste de DNA e saber se tinha sido traído por Capitu ou não. Isso nos faz pensar se o Bentinho de Machado de Assis teria feito o mesmo se tivesse a possibilidade de acabar com essa, que é uma das maiores dúvidas da literatura brasileira. Apesar de o filme deixar um pouco mais explícito, ainda não sabemos se Capitu traiu Bentinho ou não. Ainda bem.

Dom
Dir.: Moacyr Góes
Com Marcos Palmeira, Maria Fernanda Cândido, Bruno Garcia, Luciana Braga, Leon Goes

Confira logo abaixo o trailer de Dom:

21 Gramas

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
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Vinte e um

Visceral. Essa foi a primeira palavra que pensei ao final da sessão de 21 Gramas que pudesse definir essa produção. O filme é um soco no estômago, no melhor sentido da palavra (se existe um bom sentido para ela).

É bom avisar, se você for assistí-lo e não conseguir entendê-lo logo de cara, não tem problema. Acho que isso pode ser um SPOILER, por isso já aviso: As peças da história começam a se encaixar depois de 40 minutos de projeção (até olhei no relógio). E depois as peças se misturam de novo. FIM DO SPOILER. Isso acontece porque a edição do filme não tem nenhum tipo de padrão. A cena do final pode aparecer antes da cena que abriria o filme, que aparece depois da metade. Isso faz com que o espectador não tire os olhos da tela, temendo perder algum trecho importante.

Quanto ao elenco, Sean Penn e Benício Del Toro dispensam apresentações (é um clichê, mas é verdade). A minha surpresa foi a bela Naomi Watts que está muito bem. É realmente emocionante vê-la na cena do hospital, quando recebe a notícia desagradável que faz com que todas as situações se enlacem.

Depois de ter assistido a 21 Gramas fiquei curioso para ver o outro trabalho do diretor Alejandro González Inarritu, Amores Brutos. É inegável que ele tem um estilo muito interessante. O que também é inegável é que brincar com a edição virou moda nos últimos anos, vide Pulp Fiction, Amnésia, Snatch... Coincidentemente (ou não), são filmes muito bons. O que acontece é que mais cedo ou mais tarde a fórmula vai se desgastar.

21 Gramas (21 Grams)
Dir.: Alejandro González Iñárritu
Com Sean Penn, Naomi Watts, Benicio Del Toro, Danny Huston, Charlotte Gainsbourg, Eddie Marsan, Melissa Leo

Confira logo abaixo o trailer de 21 Gramas:

24 Horas - 1ª Temporada

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
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Vinte e quatro

Já se passaram seis horas das 24 que completam a primeira temporada do seriado 24 Horas na Rede Globo. E até agora posso dizer que o programa superou as minhas espectativas. Em primeiro lugar, a idéia original de toda a temporada se passar em um dia já merecia uma boa olhada no programa. O melhor de tudo é que os produtores rechearam de conteúdo o seriado (o que ajuda bastante). As câmeras nervosas, a edição rápida e cheia de boxes na tela mostrando vários acontecimentos ao mesmo tempo, o trabalho de todo o elenco. Realmente é um produto diferenciado.

Até agora, pelo que foi mostrado, não existem pontos negativos (tirando o horário maldito da Globo, que não é culpa do seriado). Em compensação, pontos positivos são vários: Kiefer Sutherland, perfeito como o agente que passa por cima de tudo para completar sua missão; Dennis Haysbert que faz o senador David Palmer, sempre como uma grande presença na tela; o roteiro que sempre mantém a história em alta, impulsionando-a para frente e cheia de reviravoltas, sem esquecer de Elisha Cuthbert, que interpreta a filha de Jack Bauer, que é belíssima.

Ed Mort

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
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De Morte

Sábado à noite. Você fica em casa. O que você faz? Assiste a um enlatado americano feito para televisão no Super Cine? Provavelmente. Mas não nesse último. Miraculosamente a Globo escolheu um filme nacional, e ainda por cima, um que eu estava muito a fim de ver: Ed Mort, baseado no personagem de um dos meus escritores preferidos, Luis Fernando Verissimo, filme de 95, com Paulo Betti e Cláudia Abreu.

É uma pena que o filme não explore todo o humor que as situações mostradas poderiam ter. Para uma comédia, eu ri muito pouco. Do elenco, o casal principal se destaca, com ênfase em Paulo Betti que está impagável como o detetive que nunca honra suas dívidas. Pontos baixos: a atuação da atriz Roseane Lima que interpreta Daisy, a mulher de Silva, está muito irregular. O pior é que fazendo um pesquisa rápida pela internet descobri que ela levou o prêmio do festival de cinema de Salvador por sua atuação. Aliás, não só ela como também ganharam Paulo Betti, Cláudia Abreu e Otávio Augusto. Quando eu tenha essa informação nas mãos eu fico pensando se sou eu que não soube ver o quão boa foi a atuação da atriz ou se foram os críticos que não viram o contrário. Pelo visto deve ter sido a primeira.

O filme é divertido em algumas partes, principalmente seu final, com uma ironia digna dos textos de L.F. Veríssimo. Se esse blog tivesse um sistema de estrelas, daria 3 para o filme só pelo irônico final.

Ed Mort
Dir.: Alain Fresnot
Com Paulo Betti, Cláudia Abreu, Otávio Augusto, Ary Fontoura, Irene Ravache

Confira logo abaixo o trailer de Ed Mort:

Sobre Meninos e Lobos

Sábado, Janeiro 17, 2004
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Lobos

Depois de muitas recomendações positivas, na última quinta-feira fui assistir a Sobre Meninos e Lobos no Unibanco Arteplex (pois é óbvio que em Canoas não estaria passando). E foi uma ótima experiência. O filme, curiosamente, me lembrou muito As Horas, com Meryl Streep, Juliane Moore e Nicole Kidman. Já explico. Assim como As Horas, Sobre Meninos e Lobos está calcado imensamente nas atuações do trio principal, aqui formado por Sean Penn, Tim Robbins e Kevin Bacon. Vou mais longe, mas continuando a falar sobre o elenco, os coadjuvantes de As Horas como Ed Harris e Jeff Daniels fazem a diferença no primeiro filme, assim como Laurence Fishburne, Laura Linney e Marcia Gay Harden fazem no segundo. Acho ótimo quando uma produção consegue reunir tantos talentos juntos e usa-los todos muito bem.

Mas deixando de lado as comparações, o filme de Clint Eastwood merece todos os elogios que tem recebido. A história, baseada em um livro de Dennis Lehane, é muito interessante e bem amarrada. E, novamente, eu preciso elogiar as atuações. Todos estão ótimos. Achei engraçado também assistir Laurence Fishburne pela primeira vez depois de Matrix, não lembrando em nada seu visionário Morpheus.

Outra área a ser destacada é a edição que, principalmente no ato final, se torna imprescindível, dando o tom certo para o desfecho da história, revelando verdades surpreendentes. Mas como todo filme bom, esse também tem suas pisadas de bola. SPOILER Em primeiro lugar, aquela história envolvendo o personagem de Kevin Bacon e sua ex-mulher pode até funcionar no livro (não sei, porque não li) mas no filme soa muito artificial. Parece que inventaram essas passagens para manter o ator ocupado, já que Sean Penn e Tim Robins aparecem mais durante a projeção. Em segundo, o filme acaba muito depois do que deveria. Para mim, o diálogo entre Penn e Bacon na rua, no momento em que eles têm aquela visão do carro se afastando poderia ser o final, sem problemas. A necessidade de um desfecho maior, mostrando o que aconteceu com os outros personagens é desnecessária e, de novo, talvez funcione no livro, mas não no filme. Parece que o roteirista sentiu necessidade de acabar o filme da maneira mais positiva que conseguiu, diminuindo e muito o efeito das revelações mostradas até ali. FIM DO SPOILER

Sobre Meninos e Lobos (Mystic River)
Dir.: Clint Eastwood
Com Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Bacon, Laurence Fishburne, Marcia Gay Harden, Laura Linney, Emmy Rossum, Spencer Treat Clark

Confira logo abaixo o trailer de Sobre Meninos e Lobos:

Adeus, Lênin!

Sexta-feira, Janeiro 9, 2004
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Socialismo

É engraçado notar como somos acostumados a ver filmes americanos. Ontem a noite fui assistir o muito bem conceituado Adeus, Lênin! no Unibanco Artplex em Porto Alegre. A parte engraçada disso é que mesmo sabendo que o filme era Alemão, até o quarto ou quinto diálogo eu ainda esperava que eles falassem em inglês (foi mais ou menos a mesma coisa quando assisti a Indiana Jones e a Última Cruzada em versão importada e sempre esperava as legendas durante os primeiros minutos do filme).

Mas, deixando de lado esses comentários pouco releventes, Adeus, Lênin! é um filme muito bom. Apesar de ter sido vendido como um filme de comédia, o roteiro e as atuações são tão boas que você acaba comprando gato por lebre sem se importar. Ao assistir esse filme você se dá conta de que nem todas as boas idéias já foram usadas em roteiros. É bastante original e muito bem executada.

A atriz Katrin Sass que faz a mãe de Alex (Daniel Brühl) está excelente e existem duas cenas em particular que eu destaco. SPOILER A cena em que ela sai de seu apartamento e vê a estátua de Lênin sobrevoando a cidade. Tanto a atuação da atriz quanto o jeito que o diretor Wolfgang Becker usou para executar a cena fazem com que ela já tenha virado clássica desde já. A segunda cena que destaco da atriz é bem próxima ao fim, quando ela descobre a armação e mesmo assim, não revela a seu filho que havia produzido um boletim em vídeo explicando (à sua maneira) o que aconteceu com a Alemanha que sua mãe conhecia. A expressão da atriz consegue passar todo o orgulho que aquela mulher sentia pelo seu filho. FIM DO SPOILER

O filme também serve como pequena aula de história para quem, como eu, não conhecia direito o que eram as Alemanhas Ocidental e Oriental com uma inspirada narração de Alex. O roteiro faz esse relato de uma maneira inteligente, sem que pareça artificial - já que é importante que o espectador entenda a situação história da Alemanha até para poder importar-se com a situação dos personagens. Depois de todos esses argumentos, acho que deixei claro que Adeus, Lênin! é muito acima da média.

Adeus, Lênin! (Good Bye Lenin!)
Dir.: Wolfgang Becker
Com Daniel Brühl, Katrin Sass, Chulpan Khamatova, Maria Simon, Florian Lucas

Confira logo abaixo o trailer legendado de Adeus, Lênin!:

Amnésia

Domingo, Janeiro 4, 2004
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Polaroid

Às vezes falar sobre um filme é chover no molhado. Principalmente quando foi tão citado por sites da internet ou até mesmo por críticos profissionais com um filme excelente, já sendo destacadas todas as suas qualidades. Mesmo assim, sou obrigado a comentar sobre Amnésia, de Christopher Nolan.

Assisti ao filme ontem pela quinta vez, se não me engano, e cada vez descubro coisas novas sobre ele. O trabalho de edição, fragmentado, dando a percepção de realidade que o personagem de Guy Pearce está inserido foi uma idéia genial. A história de Sammy Jenkins costurada no meio da história (uma espécie de flashback costurada a narração) foi outra opção acertada por Nolan.

Amnésia não seria tão bom se não fosse pela performance de Guy Pearce. O seu jeito de falar, rápido e seguro de suas certezas (das poucas que ele tem, pelo menos), fazem com o que o espectador veja Leonard como uma pessoa real. É interessante também perceber que o roteiro trabalha muito bem a figura de Leonard sendo uma pessoa metódica, que aprende com a repetição. Isso é provado tanto na narração inicial do personagem, como em pequenas cenas, despercebidas no meio do filme (como o fato de ele nunca esquecer de ligar e desligar o alarme do carro, por exemplo).

Dignos de nota também são as atuações de Joe Pantoliano e Carrie-Anne Moss. Ambos possuem personagens ambíguos, muito bem trabalhados pelos atores. É interessante ver como Pantoliano sempre tenta passar simpatia e sempre é alvo de suspeitas por "Lenny", enquanto a personagem de Moss não se esforça para ganhar a confiança de Pearce, duas relações que fazem o filme andar.

Christopher Nolan consagrou-se após dirigir esse filme de baixo orçamento. Depois disso, dirigiu Al Pacino e Robin Williams em Insônia e está confirmado no próximo filme do Batman, que não terá nada a ver com os outros quatro filmados nos anos 90, e já tem até um Bruce Wayne escolhido: Christian Bale de Psicopata Americano. O Homem-Morcego parece estar em boas mãos...

Amnésia (Memento)
Dir.: Christopher Nolan
Com Guy Pearce, Joe Pantoliano, Carrie-Anne Moss, Mark Boone Junior, Jorja Fox, Stephen Tobolowsky, Callum Keith Rennie

Confira logo abaixo o trailer de Amnésia:

Psicose

Domingo, Janeiro 4, 2004
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Versões

Algumas coisas não devem ser mexidas. Outras sim. (?) Digo isso no dia em que assisti novamente a versão de Gus Van Saint para o clássico Psicose de Alfred Hitchcock. Digo isso no dia em que, ao passar pela TV Guaíba, fui surpreendido com um show de Joe Cocker onde ele arrasa com sua clássica versão de With a Little Help from my Friends, música do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles.

A pergunta que fica ao assistir ao Psicose de 1998 é: porque diabos mexer em um clássico tão bem feito? Gus Van Saint disse para a revista Set: "E porque não?". O grande erro do diretor de Gênio Indomável é tentar fazer uma fotocópia colorida do filme. A idéia de Gus Van Saint era filmar fotograma por fotograma, plano por plano, ou seja, uma réplica do original. Interessante mesmo seria criar algo novo, talvez atualizar a história. Psicose foi adaptado de um livro escrito por Robert Bloch. Então porque não pegar o livro e trabalhar nele? Pensar em angulos diferentes, não pensados por Hitchcock. Mas não. Van Saint preferiu comprar o pacote fechado, tentando ressuscitar o mestre do suspense, sem sucesso.

E é aí que entra Joe Cocker. With a Little Help from my Friends não lembra em nada a primeira versão gravada pelos Beatles (excetuando a letra, é claro), transformando a música em uma obra distinta e até melhor do que a original. Ter ido pelo caminho mais difícil fez toda a diferença nesse caso, mostrando que quando o artista sabe o que está fazendo e tem talento para isso, pode se dar ao luxo de mexer em um clássico. Agora, imaginem se Joe Cocker tivesse apenas regravado a música, sem impor seu estilo. Ela seria apenas mais uma regravação como tantas outras que pipocam pelas rádios.

Se Gus Van Saint tivesse feito um With a Little Help... do seu Psicose talvez conseguisse criar um novo clássico, e não um filme de suspense sem o charme da versão original.

Cosmotron e Ventura

Sexta-feira, Janeiro 2, 2004
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Amadurecimento

Existem dois CDs que não saem do meu aparelho de som (e dos meus ouvidos, respectivamente). O primeiro, atesta o amadurecimento de uma banda que cada vez que lança um novo trabalho consegue ficar melhor. Essa banda é Skank e o álbun é Cosmotron (o nome é horrível, mas o cd é ótimo).

O que é interessante no Skank, para mim pelo menos, é que eu gosto da banda desde o começo. Quando eu tinha meus 10 anos eu adorava Homem q Sabia Demais, e na medida que o tempo foi passando e eu fui crescendo, a banda também cresceu. Tanto que ela chega nos seus mais de dez anos de carreira com um cd recheado de influências que vão desde Beatles à Chico Buarque. Supernova e Dois Rios são os maiores exemplos da influência do FabFour neste Cosmotron. Outras músicas ótimas como Pegadas na Lua, Formato Mínimo e Resta um pouco mais - sem esquecer da agitada Vou deixar - são destaques do álbum, já que é difícil escolher a melhor.

O CD que faz rodízio com esse do Skank no meu aparelho de CD é o Ventura da banda carioca Los Hermanos. É incrível como depois de Todo Carnaval tem seu fim - que até eu ouvir esse álbum, era a minha música preferida - eles conseguiram fazer músicas ainda melhores. A mp3 de O Vencedor já estava gravada no winamp e cada vez que eu ligava o computador era execução obrigatória (mais um pouco e o próprio winamp tocaria ela sozinho). Samba a dois, Último Romance, Além do que já se viu, Cara estranho... São tantas que, mais uma vez, não é tarefa fácil de apontar as melhores.

Como diria a minha amiga Bárbara: "Larga o que tu tá fazendo agora e vai ouvir esses cds". Boa música nunca faz mal...

A Hard Day's Night

Quinta-feira, Janeiro 1, 2004
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Very Clean

Começo o ano de 2004 postando no Blog a minha opinião sobre o filme da minha banda preferida: The Beatles, A Hard Day's Night ou Os Reis do Iê Iê Iê aqui no Brasil. Quem me conhece sabe que eu sou fã incondicional da banda inglesa, e como já virou tradição para mim, no último dia do ano eu assisto alguma coisa deles. No final de 2001 e 2002 eu assisti alguns episódios do Anthology, ainda em vídeo. Neste ano, resolvi mudar um pouco as coisas e assistir ao filme de estréia do FabFour (graças ao meu amigo Marcelo B Conter que me emprestou o DVD há dois meses atrás e ainda espera que eu o devolva).

Mas sem mais delongas, A Hard Day's Night é divertimento puro. Não é um filme que vai mudar a vida de ninguém, mas consegue ser uma ótima distração naqueles 97 minutos de duração. Tudo está lá, as músicas de sucesso como I Should have known better, If I Fell e Can't buy me love, o humor ácido de John, Paul, George e Ringo, e a direção competente de Richard Lester - que conseguiu uma atuação no mínimo decente dos músicos de Liverpool.

A história, para quem não conhece, não tem muito mistério. É basicamente um dia na vida dos Beatles. A perseguição dos fãs, apresentações na TV, o corre-corre dos bastidores. Tudo entrelaçado pelos sucessos do quarteto, é claro. O destaque fica para o ator irlandês que interpreta o avô de Paul McCartney, Wilfrid Brambell. As confusões que ele arma no filme, mesmo sendo um "velho muito limpo" - como é repetido inúmeras vezes, fazem a história andar. Foi um artifício interessante usado pelo roteirista, já que seria estranho fazer um dos Beatles ser o encrenqueiro do filme.

Os Reis do Iê, Iê, Iê (A Hard Day's Night)
Dir.: Richard Lester
Com John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Wilfrid Brambell

Confira logo abaixo o trailer de A Hard Day's Night:

Matrix Revolutions

Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
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Insatisfatório

No último domingo, dia 27, fui assistir a conclusão da trilogia Matrix, bastante atrasado, diga-se de passagem, pois o filme estreou no dia 5 de novembro (!). Não esperava muito de Matrix Revolutions pois já tinha ouvido comentários bastante desfavoráveis sobre o filme. Mas como São Tomé, só acreditaria vendo. Pois no fim, os comentários negativos estavam com a razão. Revolutions é uma grande decepção. Depois de ter visto o confuso Matrix Reloaded que deixava inúmeras questões no ar, esperava-se que o fim da trilogia solucionaria as dúvidas do espectador. Não é o que acontece.

Os efeitos estão lá ainda, e como já é tradição da trilogia, estão excelentes. Mas o grande problema de Revolutions é o roteiro e a edição. Existe certo momento no filme, durante a invasão dos sentinelas que os diretores parecem ter esquecido que Neo existia, pois durante uns 30 ou 40 minutos o personagem simplesmente não dá as caras. As sequências desta invasão são muito boas, mas poderiam ser reduzidas em uns 15 minutos que não fariam diferença.

O que muitos concordam é que Hugo Weaving e seu Agente Smith ainda são o melhor da trilogia e sua briga final com Neo, à la Superman, foi muito bem concebida. Se eu pudesse fazer uma sugestão aos irmãos Wachowski, diria que eles poderiam muito bem juntar Reloaded e Revolutions em único filme de 3 horas de duração (eliminando uma hora e alguns minutos de material desnecessário), criando assim Matrix Repaired. Como acho que isso não vai acontecer, fico então com o primeiro Matrix que é excepcional.

Matrix Revolutions (The Matrix Revolutions)
Dir.: Wachowski Brothers
Com Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Monica Bellucci

Confira logo abaixo o trailer de Matrix Revolutions:

Abertura

Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
postado originalmente

Há algum tempo estava pensando em criar um blog, mas motivos externos (leia-se preguiça) impediam o nascimento deste espaço. Motivado por amigos que também tem blogs - e essa é a parte onde eu pareço um "maria-vai-com-as-outras" - decidi colocar a preguiça de lado e postar algumas idéias para o pessoal que eventualmente passar os olhos por aqui. Espero que esse seja o começo de um bom paradoxo...