A Crise da Disney

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
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O fim?

Depois de uns dez anos e cinco filmes de sucesso (com mais dois a caminho) a Pixar rompeu contrato com a Disney, deixando o estúdio do Mickey a ver navios. Quem se liga um pouco em bilheterias sabe que os últimos sucessos da Disney estavam todos atrelados a parceria com a Pixar.

Filmes como Procurando Nemo, Monstros S.A., os dois Toy Story e Vida de Inseto seguraram e muito as pontas da Disney que acumulava fracassos com suas animações tradicionais como Atlantis e Terra dos Tesouros. O medonho Dinossauro, tentativa da Disney de enveredar pelo campo da animação computadorizada, se não foi um total fracasso, provou que em matéria de roteiro a Pixar dava uma banho.

O que não deixa de ser curioso é ver várias pessoas pregando o fim da Disney. É um baita exagero. Apesar do estúdio não estar 100%, ainda acerta com alguns longas como Tarzan e o mediano A Nova Onda do Imperador. Prever hoje o fim da Disney é o mesmo que em 1998, prever o fim da Warner.

Naquela época, depois de ter lançado o fraco Batman & Robin, o bizonho Os Vingadores e Velocidade Máxima 2 (sem comentários), o estúdio estava naufragando no box office. E não é que, em 2004 a Warner tem em mãos a trilogia Senhor dos Anéis, a trilogia Matrix, os dois Harry Potter com os direitos dos outros livros do bruxo, ganhando assim dinheiro aos borbotões. Ou seja, os que choraram há cinco anos atrás estão rindo à toa hoje. Quem sabe amanhã não é o Mickey e seus comparsas que estarão rindo?

Dogville

Domingo, Fevereiro 01, 2004
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Minha vida de cão

Dogville é um dos filmes mais inovadores que eu já tive a oportunidade de assistir. Mas nem por isso gostei tanto quanto eu acho que deveria ter gostado. Tá certo, admito que foi um erro ter visto o filme logo após ter visto Encontros e Desencontros (e quando eu digo logo após, falo de 1h30min depois de ter visto o primeiro), fazendo com que as três horas de duração de Dogville tenham parecido três horas. Mesmo.

As inovações que eu falo são muito interessantes. Em primeiro lugar, não existem casas de verdade no filme. O cenário é todo desenhado, e eu penso que isso foi uma jogada de mestre de Lars Von Trier. Não existiria outro jeito de retratar o vilarejo como sendo tão pequeno, senão daquele jeito. Se houvesse paredes, Dogville já pareceria maior do que é. Claro que dessa maneira, o filme não parece um filme, e sim uma peça de teatro. Até na estrutura como é apresentado, em capítulos (que poderiam ser chamados de atos, perfeitamente), lembra teatro e a literatura.

Fatores positivos indiscutíveis de Dogville são: o roteiro, escrito pelo diretor, mostrando toda a degradação do ser humano quando é colocado o mínimo de poder em suas mãos. A produção do set, opressora como a cidadezinha deveria ser. E as atuações de Nicole Kidman e Stellan Skarsgard.

O problema de Dogville, na minha opinião, está na duração mesmo. Ele demora muito para acabar. Outra coisa que fiquei pensando, principalmente no começo da projeção, é como a história me lembrava um conto de fadas (Branca de Neve, para ser exato). E a trilha sonora junto com a narração de John Hurt ajudava mais ainda a dar essa impressão. O que não é nada parecido com um conto de fadas é o final, brilhante, que pelo menos valeu pelas horas investidas.

Dogville
Dir.: Lars Von Trier
Com Nicole Kidman, Paul Bettany, Lauren Bacall, Blair Brown, Patricia Clarkson, James Caan, Jeremy Davies, Philip Baker Hall, Zeljko Ivanek, Chloe Sevigny, Stellan Skarsgard

Confira logo abaixo o trailer de Dogville:

Encontros e Desencontros

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
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"Loja" Moore

Continuando com a minha maratona pré-Oscar, ontem fui assistir no Unibanco Arteplex o 4 vezes indicado Encontros e Desencontros, dirigido por Sofia Coppola e estrelado por Bill Murray e Scarlet Johansson.

O filme equilibra momentos de comédia com momentos de reflexão, fazendo com que ele seja bastante irregular. O melhor disso é que ele não é de uma irregularidade ruim, muito pelo contrário. Esse eu considero o charme da produção, e é o que separa essa comédia de várias outras que se encontram por aí.

Os momentos engraçados estão a cargo de Bill Murray, engraçadíssimo como o ator Bob Harris, que vai ao Japão fazer uma propaganda de Whiskey (os momentos mais engraçados do filme) e acaba passando por uma experiência que o faz pesar como vai levando sua vida. Quem passa por essa mesma experiência é Charlote (Johansson), que casada com um fotógrafo maluco por trabalho (Giovanni Ribisi, repetindo os trejeitos de sempre), fica sozinha no hotel, conhecendo assim Bob Harris e criando uma forte amizade com o ator, formando uma simpática dupla para a produção.

A fotografia de Encontros e Desencontros é belíssima, registrando as incríveis paisagens do Japão, não apenas as imagens que mostravam os montes e os templos, mas também mostrando a cidade com montes de pessoas, carros e luzes. Falando no país nipônico, é claro que um filme que se passa por lá não poderia ficar sem a indefectível cena do karaokê ("God Save the Queen" com sotaque japonês foi hilário).

Encontros e Desencontros é um filme muito simpático, mas não deve levar nenhum Oscar para casa (talvez roteiro original, concorrendo com Procurando Nemo - uma surpresa positiva se ganhasse). Mesmo não ganhando nada a produção já vale por provar o que eu há tempos já sabia: Bill Murray é um baita ator.

Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
Dir.: Sofia Coppola
Com Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi, Anna Faris

Confira logo abaixo o trailer de Encontros e Desencontros:

De Volta para o Futuro - Parte II

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
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Great Scott!

"Vocês dois ficarão bem! São seus filhos, Marty! Algo deve ser feito sobre eles!". Essa frase encerrava o primeiro De Volta para o Futuro e abriria a sua ótima continuação. Curiosamente ela, assim como o "Continua" no final do primeiro filme, eram apenas piadas, pois não haviam planos para continuações. Então, cinco anos depois do primeiro, Zemeckis decidiu filmar não apenas um, mas dois filmes ao mesmo tempo (feito inédito na época) criando a trilogia Back to the Future.

De Volta para o Futuro - Parte II é o filme mais complexo dos três. Não apenas pela história amalucada que coloca Doc Brown e Marty nas mais diversas épocas (eles vão de 85 para 2015, para um 85 alternativo e depois para 55 novamente, ano em que boa parte do primeiro filme toma forma), mas também por haver várias reviravoltas em sua estrutura.

Neste filme podemos ainda ver fortalecer a amizade entre Marty e Doc Brown, ao meu ver, um dos maiores charmes da trilogia. No primeiro, Marty tenta desesperadamente avisar seu amigo que este iria morrer em 85. Já no segundo é o doutor quem tenta salvar a família de Marty de ruir completamente devido a prisão de seus filhos. Sempre lembrando que mexer com esses eventos poderiam destruir o universo! (isso na pior das hipóteses. A destruição podia ficar isolada apenas na nossa galáxia, como explica Doc Brown.)

Bastante divertido é assistir o modo em que o segundo filme interage com o primeiro. Diversas cenas foram refilmadas meticulosamente, promovendo encontros entre dois Doc Browns e Marty conseguindo se assistir tocando Johnny B. Goode - provavelmente, o sonho de qualquer músico.

Nesse segundo episódio a ação é non stop, e são deixadas várias dicas e perguntas para o próximo filme. O final, com uma reprise da cena do raio na torre (uma das melhores cenas que eu já vi) e um intrigante "Concluirá" fizeram com que o terceiro episódio fosse bastante esperado.

TO BE CONCLUDED

De Volta para o Futuro - Parte II (Back to the Future - Part II)
Dir.: Robert Zemeckis
Com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue

Confira logo abaixo o trailer de De Volta para o Futuro - Parte II:

Seabiscuit - Alma de Herói

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
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No páreo

Seabiscuit - Alma de Herói é aquela velha história: Duas pessoas (ou animais, que seja) que nasceram para brilhar enfrentam percalços na vida, se tornam perdedores até que um dia se encontram e juntos vencem na vida. O que separa esse filme de tantos outros que já contaram essa mesma trama é que nessa produção a história é muito bem contada.

Uma das primeiras imagens do filme envolve Chris Cooper (ótimo, como quase todo o elenco) laçando cavalos em campo aberto. A cena é belíssima e dá a impressão ao espectador que muitas cenas como essa virão pela frente. Não é o que acontece, apesar das tomadas que envolvem as corridas serem muito bonitas, a fotografia surpreende mesmo é no começo.

Achei interessante também as simbologias usadas pelo roteiro, principalmente no personagem de Jeff Bridges (com uma atuação um tanto apática no início, se recuperando no final) que perde o seu "futuro" exatamente com o instrumento que o fez chegar ao topo (e quem viu o filme entenderá perfeitamente). A falta de um interesse romântico para Tobey Maguire, fazendo com que todo o foco do filme permaneça no relacionamento entre o jóquei e seu cavalo também me chamou a atenção, sendo uma escolha acertada.

Destaco ainda a atuação de William H. Macy como o hilário radialista Tick Tock McGlaughlin e o belo sorriso de Elizabeth Banks.

Contudo, vejo poucas chances de Seabiscuit levar o principal Oscar para casa, fazendo com que ele seja o azarão da noite (eu sabia que usaria esse trocadilho de novo). Se for levado em conta que o pangaré começou assim também na vida real, não seria de se espantar que na reta final ele desse uma arrancada e abocanhasse o prêmio. Isso é claro, se Hobbits e lobos não estivessem no seu caminho.

Seabiscuit - Alma de Herói (Seabiscuit)
Dir.: Gary Ross
Com Tobey Maguire, Jeff Bridges, Chris Cooper, Elizabeth Banks

Indicados ao Oscar 2004

Terça-feira, Janeiro 27, 2004
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E os indicados são...

E saíram os indicados ao Oscar 2004. Cidade de Deus que foi a maior decepção do ano passado (pelo menos para nós brasileiros e a Miramax, claro) conseguiu quatro indicações (!): melhor diretor para Fernando Meirelles, melhor fotografia, melhor edição e melhor roteiro adaptado. Se eu tivesse que apostar minhas fichas em uma categoria vencedora para o filme brasileiro acho que seria edição (mesmo com concorrentes fortes como Senhor dos Anéis e Cold Moutain). Senti falta de 21 Gramas nessa categoria.

Falando nele, recebeu duas indicações: melhor ator coadjuvante para Benício Del Toro e atriz para Naomi Watts. Se formos comparar com o Globo de Ouro, acho que Del Toro volta para a casa com as mãos abanando, enquanto Naomi leva a melhor. Tim Robbins, por Sobre Meninos e Lobos tem grandes possibilidades de receber o prêmio (preferia Del Toro, mas eu não tenho poder de voto).

Um surpresa agradável foi a presença de Johnny Depp entre os indicados a melhor ator por sua perfomance no divertido Piratas do Caribe. É bom ver a academia abrindo um pouco seus horizontes e percebendo que não é porque é engraçado que não pode ser bom.

Quanto a melhor filme, depois de ter visto Cidade de Deus se dar tão bem nas outras categorias, até esperava vê-lo nessa também. Mas não aconteceu. Os indicados foram Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, Encontros e Desencontros, Mestre dos Mares (ainda inédito por aqui), Sobre Meninos e Lobos e Seabiscuit. Torço pelo Senhor dos Anéis, mas nunca se sabe...

Pretendo fazer a minha velha maratona pré-Oscar, tentando ver os filmes indicados, pelo menos nas categorias principais. Mais para perto da cerimônia postarei mais alguns dos meus palpites. (Não que faça muita diferença, pois nunca ganhei um bolão do Oscar em toda a minha vida. Mas, de novo, nunca se sabe...)

De Volta para o Futuro

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
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88 milhas por hora

Muitos devem ter estranhado (pelo menos os que me conhecem bem) de eu não ter até agora escrito uma linha sequer sobre o meu filme preferido: De Volta para o Futuro. Só estava esperando uma oportunidade para revê-lo e escrever aqui no Blog sobre ele.

Às vezes é difícil escrever sobre um filme que se viu tanto. Parei para pensar em algum ponto negativo em De Volta para o Futuro e, sinceramente, não achei nenhum. Mas pontos positivos são muitos, pelos menos na minha percepção.

Começando pelo roteiro inventivo, original, misturando muito bem ficção-científica, comédia, aventura. Consegue envolver o espectador, não só no primeiro como em toda a trilogia (que será comentada em posts seguintes).

A direção de arte fez um ótimo trabalho conseguindo uma transformação muito realista da Hill Valley de 1985 para 1955, mostrando que, pelo menos no cinema, é possível uma verdadeira viagem no tempo. E essa noção de viagem está amparada também na maquiagem feita nos jovens atores, que em 1985 convencem como pessoas de meia-idade, graças também as competentes atuações.

Falando em atuações, o elenco todo está afiadíssimo. Christopher Lloyd, o melhor de todos, se entrega completamente a persona do Dr. Emmett L. Brown, chegando a ficar rouco inúmeras vezes no decorrer da trama devido ao jeito amalucado do personagem ao falar. Temos o jovem Michael J. Fox em seu papel mais famoso no cinema. Ainda hoje é difícil imaginar Eric Stoltz (que chegou a gravar boa parte do filme, mas foi dispensado) como Marty McFly já que J. Fox É o personagem.

Crispin Glover (o covarde George McFly), Lea Thompson (a dúbia Lorraine Baines) e Thomas F. Wilson (interpretando - muito bem, diga-se de passagem - o vilão Biff Tannen) completam o elenco, se não contarmos o DeLorean, o carro-máquina do tempo que é um outro personagem importantíssimo para a trama.

A música de Alan Silvestri, a produção de Spielberg e a direção de Robert Zemeckis fecham o pacote de uma das melhores aventuras da história do cinema (e apontada pelo E-Pipoca como a melhor trilogia de todos os tempos). Com certeza, eu concordo muito com isso.

De Volta para o Futuro (Back to the Future)
Dir.: Robert Zemeckis
Com Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells, Marc McClure, Wendie Jo Sperber, James Tolkan

Confira logo abaixo o teaser de De Volta para o Futuro:

Regras da Atração

Domingo, Janeiro 25, 2004
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Bonitinho, mas ordinário

Regras da Atração tinha tudo para ser um filmaço.

Regras da Atração tem estilo. Ao ver a forma com que o diretor Roger Avary escolhe mostrar a sua história com telas divididas (efeito excelente, usado no encontro entre Sean e Lauren), acontecimentos que retrocedem (como se o mundo fosse um enorme video cassete) e cenas onde o espectador consegue sentir exatamente o que o personagem está sentindo (a cena da banheira, uma das melhores do filme) você tem certeza que veremos muitas coisas boas desse diretor futuramente.

Regras da Atração tem elenco. Por incrível que pareça, James Van Der Beek entrega uma atuação convincente, não lembrando em nada o insosso Dawson do seriado da Sony. Claro que as vezes ele exagera, e a sua expressão "vampiresca" irrita. Destaque também para os outros dois atores principais: Shannon Sossamon e Ian Sommerhalder, todos personagens difíceis mas muito bem trabalhados.

Regras da Atração tem trilha sonora. Bastante baseada em clássicos dos anos 80, vai desde Erasure até The Cure. Bem divertido. E também tem participações especiais espertas como Fred Savage (ele mesmo, o Kevin de The Wonder Years), hilário, fazendo um viciado que não diz coisa com coisa e Eric Stoltz, como um professor (também viciado) com métodos didáticos não muito ortodoxos, digamos assim.

E então? Qual é o problema de Regras da Atração? Ele não tem conteúdo. São quase duas horas de cenas muito bem elaboradas, muito bem representadas, com uma trilha legal mas que no final não dizem nada para o espectador. Nenhum dos assuntos tratados no filme são aprofundados. Virgindade, homossexualidade ou promiscuidade parecem que foram postos ali só para serem citados, sem nenhuma reflexão maior. E é nisso que o diretor Roger Avary, que também assina o roteiro, erra a mão. Regras da Atração acaba sendo um filme bonitinho, mas ordinário. Infelizmente.

Regras da Atração (Rules of Attraction)
Dir.: Roger Avary
Com James Van Der Beek, Shannyn Sossamon, Jessical Biel, Kip Pardue, Kate Bosworth, Ian Somerhalder, Jay Baruchel, Thomas Ian Nicholas, Fred Savage e Faye Dunaway

Confira logo abaixo o trailer de Regras da Atração: