Psicose

Domingo, Janeiro 4, 2004
postado originalmente

Versões

Algumas coisas não devem ser mexidas. Outras sim. (?) Digo isso no dia em que assisti novamente a versão de Gus Van Saint para o clássico Psicose de Alfred Hitchcock. Digo isso no dia em que, ao passar pela TV Guaíba, fui surpreendido com um show de Joe Cocker onde ele arrasa com sua clássica versão de With a Little Help from my Friends, música do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles.

A pergunta que fica ao assistir ao Psicose de 1998 é: porque diabos mexer em um clássico tão bem feito? Gus Van Saint disse para a revista Set: "E porque não?". O grande erro do diretor de Gênio Indomável é tentar fazer uma fotocópia colorida do filme. A idéia de Gus Van Saint era filmar fotograma por fotograma, plano por plano, ou seja, uma réplica do original. Interessante mesmo seria criar algo novo, talvez atualizar a história. Psicose foi adaptado de um livro escrito por Robert Bloch. Então porque não pegar o livro e trabalhar nele? Pensar em angulos diferentes, não pensados por Hitchcock. Mas não. Van Saint preferiu comprar o pacote fechado, tentando ressuscitar o mestre do suspense, sem sucesso.

E é aí que entra Joe Cocker. With a Little Help from my Friends não lembra em nada a primeira versão gravada pelos Beatles (excetuando a letra, é claro), transformando a música em uma obra distinta e até melhor do que a original. Ter ido pelo caminho mais difícil fez toda a diferença nesse caso, mostrando que quando o artista sabe o que está fazendo e tem talento para isso, pode se dar ao luxo de mexer em um clássico. Agora, imaginem se Joe Cocker tivesse apenas regravado a música, sem impor seu estilo. Ela seria apenas mais uma regravação como tantas outras que pipocam pelas rádios.

Se Gus Van Saint tivesse feito um With a Little Help... do seu Psicose talvez conseguisse criar um novo clássico, e não um filme de suspense sem o charme da versão original.

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