Domingo, Fevereiro 22, 2004
postado originalmente
Da série "textos meus retirados do Portal3", posto A Vida Alheia de Pedro, uma ficção que ficou capa do site da agexCOM por um bom tempo e que agora está disponível para o pessoal que visita o Paradoxo dar uma lida. Em tempo: Recomendo a todos que gostam de contos, crônicas e afins que façam uma visita ao Portal3, pois o texto da minha amiga Paty Alsina é a mais nova capa da nossa seção de ficção do site.
A Vida Alheia de Pedro
Os livros são meus maiores companheiros. Com eles, fui para inúmeros lugares, conheci um infinito número de pessoas e vivi incríveis aventuras, sem sair do meu quarto. O que posso dizer? Os livros são seguros. Os livros não enganam, não mentem, não dizem que querem ser apenas nossos amigos. A literatura não corrompe, não ri da nossa cara, não caçoa.
Com os livros conheci Brás Cubas, e suas aventuras póstumas. Acompanhei os mistérios de Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Vibrei ao descobrir quem matou Getúlio Vargas. Fiquei enciumado e duvidei de Capitu. Apaixonei-me por Lolita. E porque não dizer, fiquei assustado com o final de John Coffey em seu corredor da morte.
Passei um bom tempo da minha vida imerso nesse universo. Alguns poderiam dizer que perdi valiosos anos. Sinceramente, as vezes me questionava o mesmo. Mas sempre que essa dúvida passava na minha cabeça, assim como uma chuva de verão, logo ia embora. Um novo livro chegava em minhas mãos e todo o resto desaparecia.
Não sei quando, talvez ao ler Cem anos de solidão - título que poderia resumir minha vida, tomei uma decisão. Fechei o livro antes de acabar de lê-lo, pois resoluções daquela espécie não podiam esperar. As dúvidas deixaram de ser chuvas de verão e passaram a ser tempestades. Chegou um ponto onde eu não agüentava mais folhear aquelas páginas e assim, assistir a vida dos outros. Viver a vida alheia já não era uma opção válida para mim. Aquilo já havia me cansado. Então fui ao cinema.
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